O Google respondeu por você: como sobreviver à busca sem clique
Quase 6 em cada 10 buscas no Google terminam sem clique, e com resumo de IA o clique cai pela metade. O que isso muda para quem vende pelo Instagram e por que o perfil e a bio viraram a sua página principal.
Capítulo 6 da série Do perfil à venda. A Carol é uma personagem ilustrativa; os dados e as fontes são reais.
Resumo rápido
- Quase 6 em cada 10 buscas no Google terminam sem clique (SparkToro e Datos, 2024).
- Com resumo de IA, o clique num resultado cai de 15% para 8% das visitas (Pew Research).
- O objetivo deixa de ser só "ganhar clique" e passa a ser ser lembrado e procurado pelo nome.
- Trate o perfil e a bio como a sua página principal: é para lá que vai quem procura você.
Várias clientes novas da Carol contavam a mesma história: "pesquisei 'organizador de gaveta barato' e acabei te achando". Ela ficou animada e foi olhar os números do pequeno site que tinha montado com a lista dos achados. As visitas vindas da busca quase não tinham mudado. Como podia tanta gente dizer que a achou pesquisando, se quase ninguém clicava no site dela?
A resposta é que muita gente pesquisou, mas não clicou.
O que mudou: a resposta mora na página do Google
Em 2024, um estudo da SparkToro com dados da Datos mediu o que acontece depois de uma busca no Google. Nos Estados Unidos, 58,5% das buscas terminaram sem nenhum clique; na União Europeia, 59,7%. A cada mil buscas americanas, só 360 cliques chegaram a sites fora do Google; na Europa, 374. E quase 30% dos cliques foram para propriedades do próprio Google, como YouTube e Maps.
Os resumos de IA aceleram isso. A Pew Research Center acompanhou a navegação real de 900 adultos americanos em março de 2025. Quem viu um resumo de IA clicou num resultado tradicional em 8% das visitas; quem não viu, em 15%. Clicar num link de dentro do resumo aconteceu em apenas 1% das visitas. E encerrar a navegação logo depois foi mais comum com resumo (26%) do que sem (16%).
Ou seja: a pessoa pesquisa, lê a resposta, às vezes vê o seu nome citado, e vai embora. Ou vai direto para o Instagram procurar você.
O que isso significa para quem vende pelo Instagram
A busca não morreu; ela mudou de função. Para muita gente, ela virou o lugar onde se descobre um nome. O clique, quando acontece, acontece depois: a pessoa procura o perfil, abre a bio e toca no link.
Isso dá ao perfil e à bio um papel que muita gente não percebeu: eles viraram a sua página principal.
O que fazer: 6 ajustes para quem descobre e não clica
1. Um nome fácil de lembrar e de procurar
Se a pessoa leu "Carol Achados" num resumo, ela precisa encontrar você digitando isso no Instagram. Use o mesmo nome no perfil, no site, no TikTok e no WhatsApp. Variações demais fazem você sumir.
2. O campo de nome com o que você faz
No Instagram, o campo de nome aparece na busca. "Carol | Achados de Cozinha" é encontrado por quem pesquisa "achados de cozinha". Expliquei isso no post Bio do Instagram: como explicar o que você faz.
3. A bio que confirma a promessa
Quem chega pelo nome quer confirmar que achou o lugar certo. A bio precisa dizer em uma linha o que você vende e para quem, e o link precisa entregar isso.
4. Destaques que respondem às perguntas da busca
Se a pessoa chegou pesquisando "como organizar gaveta", ter um destaque com essa resposta faz ela ficar. Os destaques viram o seu "site" dentro do Instagram.
5. Conteúdo que vale ser citado
Para aparecer nos resumos, o seu conteúdo (site, blog ou posts) precisa ter algo que só você tem: teste próprio, comparação, preço real, foto real. Resumo de IA cita quem acrescenta, não quem repete.
6. Meça a busca pelo seu nome, não só os cliques
No Google Search Console, se você tem site, olhe as buscas que contêm o seu nome. Quando elas crescem, a busca está fazendo o trabalho dela, mesmo que os cliques no conteúdo não cresçam.
Bastidor: o que vejo no próprio Curtly
Quando comecei o blog do Curtly, o objetivo era receber cliques do Google. Depois de estudar esses dados, o objetivo mudou: ser a fonte que a resposta cita e fazer o nome Curtly ser lembrado. Por isso os posts daqui trazem dados próprios e experiência real, como a simulação de 10 mil testes A/B e a otimização do PageSpeed. É o tipo de conteúdo que um resumo pode citar, mas não substituir.
O erro que mais vejo
Abandonar o conteúdo porque "ninguém clica mais". O clique ficou mais raro, mas o conteúdo continua sendo o que faz o nome aparecer. Sem ele, você não está nem na resposta.
Desfecho
A Carol parou de olhar só para as visitas do site e começou a olhar para a busca pelo próprio nome, que crescia todo mês. Mudou o campo de nome para "Carol | Achados de Cozinha" e criou um destaque "Comece por aqui". Em poucas semanas, mais gente chegava ao perfil já sabendo o que queria.
Então uma cliente contou que tinha chegado até ela de um jeito ainda mais novo: tinha perguntado para uma IA onde comprar organizadores em Campinas, e o nome da Carol apareceu. Como uma IA escolhe quem indicar? É o próximo capítulo.
Fontes: SparkToro: estudo de buscas sem clique 2024, Pew Research Center: usuários clicam menos com resumo de IA.
Perguntas frequentes
O que é busca sem clique?
É a busca em que a pessoa encontra a resposta na própria página do Google, ou desiste, sem clicar em nenhum site. Em 2024, segundo o estudo da SparkToro com a Datos, 58,5% das buscas nos Estados Unidos e 59,7% na União Europeia terminaram assim.
O resumo de IA do Google reduz os cliques?
Segundo a Pew Research, sim: quem viu um resumo de IA clicou num resultado tradicional em 8% das visitas, contra 15% de quem não viu. Clicar num link dentro do resumo aconteceu em só 1% das visitas.
Ainda vale a pena ter site ou blog?
Vale, mas o objetivo muda: além de receber cliques, o conteúdo precisa ser a fonte citada e fazer o nome da marca aparecer. Quem se lembra do seu nome procura você direto, e aí o clique acontece.
O que fazer no Instagram por causa disso?
Tratar o perfil e a bio como a sua página principal: nome pesquisável, bio clara, link organizado e destaques que respondem às dúvidas mais comuns.

Escrito por
Fernando Novelli
Desenvolvedor full stack formado em Ciência da Computação, com experiência em cloud (GCP e AWS), IA e monetização no Google Ad Manager. Já gerenciou campanhas no Google Ads, Meta Ads e TikTok Ads e une código e visão de negócio para criar ferramentas orientadas a resultado.